POLÍCIA FEDERAL – LAVA JATO É ENCERRADA EM CURITIBA







Polícia Federal encerra grupo exclusivo da Lava Jato em Curitiba

Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress
Coletiva sobre a 39ª fase da Lava Jato, denominada Operação Paralelo, na superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR)
Membros da Lava Jato em coletiva na 39ª fase da operação, na superintendência da Polícia Federal em Curitiba

ESTELITA HASS CARAZZAI
DE CURITIBA



A Polícia Federal encerrou, nesta semana, a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba —ou seja, o grupo de delegados e agentes dedicados exclusivamente à operação.

Em nota, a instituição informou que os policiais passarão a integrar a Delecor (Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas), dentro da própria superintendência da PF. Eram quatro delegados e mais um grupo de agentes, dedicados exclusivamente à Lava Jato em Curitiba.

A medida, segundo a PF, “prioriza ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário”, e aumenta o efetivo dedicado ao combate à corrupção e lavagem de dinheiro.

Cada um dos delegados da Lava Jato possuía cerca de 20 inquéritos, segundo a PF —um número bastante elevado em comparação com o auge da força-tarefa, que chegou a reunir 11 delegados.

Com a mudança, informa a nota, a carga de trabalho será reduzida e distribuída entre outros policiais da Delecor, que reúne 70 pessoas. “Nenhum dos delegados atuantes na Lava Jato terá aumento de carga de trabalho, mas, ao contrário, ela será reduzida”, informou a PF.

Para a instituição, o número de policiais na sede do Paraná “está adequado à demanda e será reforçado em caso de necessidade”.

 

REPERCUSSÃO

Integrantes da Lava Jato na PF afirmaram à Folha que a mudança foi “administrativa”, a fim de compensar a redução no efetivo de policiais cedidos à força-tarefa.

O problema vem ocorrendo há alguns meses, especialmente por questões orçamentárias e pela demanda maior em outros Estados, como Rio de Janeiro e Brasília.

“A força-tarefa da Polícia Federal na Operação Lava Jato deixou de existir. Não há verbas para trazer delegados. Mas, para salvar o seu mandato, Temer libera verbas à vontade”, afirmou, nas redes sociais, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, ao comentar a notícia da liberação de emendas parlamentares pelo governo federal.

A força-tarefa já havia sofrido um corte significativo: em maio, o número de delegados dedicados à Lava Jato na PF de Curitiba caiu de nove para quatro. O argumento, na época, foi a queda da demanda da operação, e a criação de grupos em outros Estados, como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

Na ocasião, procuradores da República se queixaram do corte e disseram que a medida era “incompreensível”.

O delegado Igor Romário de Paula, coordenador da força-tarefa, disse na época que estava sendo “muito difícil dar continuidade para o trabalho da forma satisfatória como sempre foi”, mas que “não havia indícios de qualquer influência para barrar a investigação”.


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  1. Cejani